A última newsletter publicada pelo Automoveis-Online (Até os Profissionais são Burlados) levou-me a contar a minha história. Acredito que muitos dos profissionais devem ter também histórias para contar e que o devem fazer.
Vejam como um indivíduo particular me roubou 20.000,00€, saúde e muito mais. Foi no verão de 2004 que tudo aconteceu. Eu tinha negócios com um indivíduo que na altura se intitulava de vendedor de automóveis a comerciantes, ou seja, era o ponto de ligação entre os comerciantes; levava carros de uns comerciantes para outros.
Eu conheci-o num leilão de automóveis usados. Foi-me apresentado por um colega do ramo que na altura também desconhecia as reais razões desse indivíduo. O meu colega disse:
"Se tiveres carros de retoma em preço, diz a este colega que ele coloca os carros e ainda ganhas algum".
Eu perguntei se esse indivíduo era de confiança ou não. O meu colega disse já negociar com ele há muito tempo e que nunca tinha tido qualquer problema. Mas contudo deveria ter sempre algum cuidado, por exemplo, entregar os documentos do carro vendido só após boa cobrança.
Foi exactamente essa a medida que eu adoptei. Comecei a entregar carros de retoma a esse vendedor, para ele os colocar noutros comerciantes mais habilitados ao comércio de carros mais antigos. Ele levava os carros, trazia o dinheiro e depois levava os documentos dos carros. Se o pagamento fosse em dinheiro, levava de imediato os documentos; se fosse por cheque, só levava os documentos após boa cobrança do mesmo.
Passados uns meses já em 2004, ele solicitou-me o número da minha conta bancária para efectuar o pagamento dos carros por transferência bancária. Disse que sim que não havia problema nenhum, mas só lhe entregava os documentos após a transferência ser confirmada pelo gestor do banco. As vendas continuaram a proliferar com naturalidade. O vendedor vinha buscar o carro, levava-o e depois voltava e trazia o comprovativo da transferência bancária. Eu ligava para o banco, confirmava com o meu gestor a transferência bancaria e, depois de confirmada, entregava-lhe os documentos dos carros vendidos. Isto foi acontecendo vezes sem conta sem qualquer tipo de problema.
No mês de Maio de 2004 decidimos abrir a nossa sede comercial. Foi nessa altura que esse indivíduo deu o golpe. Aproveitando o facto de eu e o meu sócio, estarmos demasiado ocupados com as obras do nosso novo estabelecimento, fez com que nos descuidássemos em relação ao vendedor.
Num determinado dia ele apareceu e perguntou:
"Olha tens ali uma Renault Megane, um Clio comercial e uma Toyota Corolla. Tenho um gajo que está interessado nesses carros. Podes ceder os carros para eu os mostrar?". Eu respondi, "Podes, mas tu não costumas a vender essa mercadoria". Ele respondeu, "Eu sei que não, mas como estás aqui ocupado com a tua loja, pensei que não te importasses e dava-me jeito vender mais uns carros, pois assim ganhava mais algum". Eu disse, "Tudo bem, mas não te esqueças, primeiro o dinheirinho depois dou-te os documentos". Ele respondeu, "OK, não te preocupes com isso, parece que trabalhas comigo à meia dúzia de dias"
Levou os carros. No mesmo dia ligou-me e disse: "Estão vendidos, o homem vai pagar hoje um, no final da semana outro e na outra semana o último. É que ele tem uns créditos de carros que vendeu e está à espera desse pagamentos". Eu respondi de imediato, "Vê lá, olha que esses carros não são de 500,00€, são bem mais caros, estamos a falar de 20000,00€". Ele disse de imediato, "Não te preocupes! Eu negoceio que este gajo à muito tempo e nunca me deixou ficar mal". Eu disse, "Ok! Tu é que sabes, tu é que ficas responsável, se ele não pagar pagas tu, aliás, não há documentos enquanto os pagamentos não forem efectuados".
O pagamento do primeiro carro foi feito como ele tinha dito e por transferência bancária, eu liguei para o banco, confirmei a transferência e entreguei-lhe os documentos desse carro. Pagou o segundo e manteve-se o mesmo procedimento. Antes de efectuar o terceiro ele voltou e solicitou-me mais três carros. Eram eles um Ford Focus, um Corsa B TD cinco lugares e uma Ibiza TDI comercial, também eles todos no total de 20000,00€. Eram para outro comerciante. Eu disse que só lhe cedia esse carro depois do pagamento do terceiro carro, que ainda faltava pagar. Ele pediu-me e disse que se não fosse nesse dia seria no seguinte, para não me preocupar. Como precisava de vender e como nunca me tinha deixado ficar mal, acedi ao seu pedido e cedi-lhe os carros. No dia seguinte veio ter comigo e mostrou-me o documento com a transferência feita do terceiro carro, confirmei e entreguei os documentos.
Agora é que a burla começou, os últimos três carros nunca mais os vi e nunca mais recebi o dinheiro.
Decerto devem estar a pensar, "Então o gajo roubou e você não fez nada", outros pensaram, "Ai se o gajo me rouba-se eu fazia e acontecia". Pois eu também quase cheguei a perder a cabeça. Mas não o fiz, tentei calmante receber o meu dinheiro.
Até naqueles dias em que eu dizia, "Se o apanho eu mato-o", mas não era possível, pois ele é frio, calculista e muito inteligente. Ofereceu-se para assinar uma confissão de dívida, letras, até trabalhar de borla para pagar a dívida, mas nunca o fez.
Como é que ele agia, devem estar a perguntar, pois afinal é isso que conta.
Ele para vender carros rapidamente, vendia-os a um preço muito mais baixo, do que o preço a que comprava.
Perguntam vocês, "Então como é que ele conseguia pagar os carros?". Ele fez o que se costuma a dizer, ganhou credibilidade, depois ganhou o crédito, ou seja, como nunca me tinha falhado, eu sempre acreditei nele. Depois fez o teste à minha fidelidade e ao mesmo tempo deu o primeiro passo para a burla. Ou seja:
Primeiro atrasou-se, pagando o primeiro carro com o dinheiro do segundo. Lembram-se de ele ter dito que o cliente ia pagar um no dia, outro no final da semana e o último na semana seguinte? Pois é, ele com o dinheiro do primeiro foi pagar umas dividas que ele tinha para com terceiros; com o dinheiro do segundo pagou-me o primeiro e com o dinheiro do terceiro pagou o segundo. Depois pediu-me mais três carros, ele com o dinheiro desse primeiro carro pagou-me o último logo no dia seguinte.
Perguntam vocês mais uma vez, "Ok, então como é que ele pagou os últimos três carros, para que lhe entregasse os documentos finais?".
Pois, foi aí que se deu a grande burla. Ele aproveitando-se do facto de eu estar preocupado com a construção do Stand, com toda aquela azafama, electricistas, carpinteiros,trolhas, picheleiros, certificados, licenças, sei lá eram tantas as responsabilidades que eu nem tinha para onde olhar.
Ele, com o objectivo de levantar os documentos dos carros, apresentou-me um talão de transferência bancária com o valor total dos três carros. Mas este talão era do multibanco. Como eu estava atrapalhado com o trabalho, cometi o erro da minha vida, não confirmei a transferência com o gestor do banco e entreguei os documentos.
No dia seguinte, antes de efectuar um pagamento, liguei para o banco, para me assegurar do saldo real da minha conta, contando eu com aqueles 20000,00€. Quando o meu gestor informa do saldo conta, eu de imediato perguntei, "Tem a certeza? Dr.º ontem foi feita uma transferência no valor de 20000,00€, não foi?" Ao que respondeu, "Não, não tem aqui nenhuma transferência de 20000,00€, só tem uma de 1,00€"
Para concluir, esse indivíduo foi ao multibanco, fez uma transferência de 1€, depois desta transferência, efectuou uma outra de 20.000,00€. A primeira ele conseguiu fazer, a segunda não. Mas perguntam vocês, "porque é que ele fez isso". Para obter os talões das transferencias, ou seja, na transferencia de 1€ ele obteve o recibo a dizer transferencia Ok, no segundo recibo, recebeu um talão a dizer transferencia 20.000,€ não efectuada. O que importa é que ele conseguiu os talões com os dizeres (ok e 20.000,00€), depois recortou os dizeres e juntou-os num recibo novo, montado por ele. Após a montagem, digitalizou-o e passou-o para o computador, depois imprimiu num papel em tudo idêntico ao papel do multibanco. Daí eu não ter desconfiado. Este trabalho todo, com o objectivo de conseguir um talão de multibanco a dizer, (transferencia 20.000,00€ ok).
Foi assim que ele me burlou.
Actualmente ele ainda deve esse valor e não há meio de eu o receber. Pois os nossos advogados, não têm forma jurídica possível para agir.
Ele separou-se da mulher, vendeu a casa, ou seja, não tem nada em nome dele, só tem dívidas. Eu, com o desenrolar da história detectei outros colegas que tinham sido burlados por este indivíduo.
Agora anunciou-se como uma doença cancerígena, para que ninguém o incomode. Não querendo pôr em questão a veracidade do seu estado de saúde, devo informar que a sua esposa trabalha no hospital. Não possui nada em seu nome, não trabalha, ou seja não há forma de tentar receber nada.
Perguntam vocês, "Então como é que esse indivíduo vive?". Apoiado no falso divórcio e nos seus pais, coniventes com toda esta situação.
Ainda não desisti, mas é muito complicado.
Por questões jurídicas, ainda não me é possível publicar os dados desse indivíduo, mas temo que ele continue a fazer o mesmo por aí fora. Se estiverem interessados em saber os seus dados, podem fazê-lo através da lista de discussão "Profissionais" do Automoveis-Online.
Só para terem uma ideia, eu e mais duas empresas do concelho de Gondomar, fomos burlados num total de 150.000,00€. Sabemos que também, actuou em Trás-os-Montes, Leiria e muitos outros sítios por esse Portugal fora.
Obrigado, por escutarem a minha história.
ANJU´S Comércio Automóvel